Mais um dia das férias do arrojado astronauta se passava. Agora na Romênia ele tinha visto os vários castelos e ciganos que rodeavam seu hotel. Ao passar por uma floricultura viu uma bela flor de lótus e ao lado dela uma orquídea, de longas datas já sabia que uma representava em várias culturas o fim das coisas e a outra a luta por viver a qualquer custo...
"Quer uma flor senhor?" . Lá estava ela, irônica e desafiadora, não tinha como achar outra coisa... tinha uma face de força somada a várias coisas em seus olhos que o fazia crêr que ela era uma explosão contida em uma corrente de pensamentos - Acorda Venceslau! - disse ele se batendo e logo se prontificando em chamá-la para uma conversa. Poucos minutos se passaram para eles saberem que tinha mais em comum do que se imagina, mas foi também o suficiente para saber que os seus caminhos estavam se cruzando neste curto espaço de tempo.
Poucas pessoas sabiam sua vida no seu planeta e os motivos adicionais que o levou a ir conhecer outros lugares mas era fácil perceber que ele tinha uma manhca cobrindo seus olhos e a única coisa que vinha em sua mente neste momento era uma frase que tinha lido em um livro brasileiro: Navegar é preciso e viver não é preciso. Ele não tinha encontrado seus objetivos e apaziguado seus demônios internos que andavam montados em seu passado.
Desta vez ele não estava sendo idiota como em Paris. Sabia que teria que abrir mão deste momento e do frio na barriga que o corroía para que as férias dele tivesse um sentido e ele conseguisse recuperar a força que havia perdido a muito tempo. Em resumo sabia que seria um vilão mesmo sem querer, mas com um sorriso disse adeus falando que aquela flor era muito bonita e não poderia ser arrancada dali porque teria o perigo de morrer e perder toda a belezza que nela existe. Talvez um dia que ele tivesse um vaso e também força para carregá-lo, assim, ele poderia assumir a promessa de que aquela flor seria imortal...
A cigana com um olhar que poderia caber o mundo dentro de sua alma então lhe disse: Talvez um dia poderemos nos encontrar em Veneza astronauta e talvez os planetas nos guiem se você achar o que procura...
Em um único suspiro o astronauta encerra: "Minha alma é o vento e se os deuses Hindus resolverem soprar até lá farei o possível para chegar aos seus ouvidos como uma brisa em fim de noite, mas agora o vento me leva para o olho do furacão..."
Olhando sempre em frente Venceslau caminha para uma praça e observa sorrindo uma criança aprendendo a andar depois de cair várias vezes... Nem ele ainda tinha aprendido a andar de fato...
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
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