Em certas horas inexplicavelmente batia uma vontade estranha de chorar, ele tinha ouvido que tem pessoas que bebem para esquecer certas coisas, mas até agora aconteceu somente o contrário. As lembranças vinham com o quê de que poderiam ser melhores. Ele ainda pensava que a moda do medo tinha que terminar e aí então poderia fazer o dobro das coisas que faz. De tanto "achismo" ele ficou com raiva xingou um palavrão e pediu mais um copo."
Me dá um gole da sua cerveja? - disse um estranho - Venceslau assustado respondeu que não precisara pois lhe pagaria uma cerveja inteira. O homem, desanimado, disse que não queria uma cerveja, pois o ato de beber não lhe interessava e sim o ato de receber uma coisa que foi dividida de bom grado. O envergonhado astronauta tinha aprendido agora sobre ludismo.
"Heins era um filosofo de boteco, passou sua vida inteira tentando ser alguém para que os outros pudessem admirá-lo mas viu que todos seus feitos eram passageiros. Em vista disso resolveu ensinar aos outros a importância do que é viver de segundo a segundo".
Com sua língua afiada Heins fala sobre quão efêmera era a vida e que tudo morria ou acabava antes mesmo de se ter feito tudo, mas as poucas coisas que as pessoas conseguiam fazer ficavam marcadas no caderno das lembranças. O homem se torna rico quando se tem lembranças valorosas e no fim só sobra isso. Há umas horas atrás eles nem se conheciam, mas pelo valor, sinceridade e força da conversa aquilo certamente se tornaria uma forte lembrança e também uma peça na formação do que eles chamavam de espírito.
No blablaésimo copo eles estavam felizes e Venceslau mais ainda por ter feito seu primeiro amigo. Ele sabia que de agora em diante começaria ver o mundo de outra maneira como se tudo coubesse no espaço de um segundo. Em um segundo se morre, em um segundo se cria uma vida, em um segundo se cabe o mundo...

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