domingo, 21 de outubro de 2007

Entre uns goles e uns segundos (Alemanha)

Agora na Alemanha Venceslau já estava se acostumando com a vida de turista. A anos ele almejava férias e como não tinha mais necessidade de dormir (ficou em coma 4 anos), poderia ver mais coisas que o normal. O país era lindo, nos locais que visitou tinham poucos homens do saco. Era estranho saber que um país daquele foi destruído duas vezes e ainda mantinha sua beleza. As pessoas bebiam uma coisa amarela chamada cerveja e curioso ele também experimentou. O gosto era semelhante a um biscoito que as pessoas chamavam de água-e-sal. Depois do décimo segundo copo Venceslau estava com uma imensa vontade de rir, mulheres feias já nem eram tão feias assim e todas as pessoas que também bebiam eram seus amigos ("considerados" em certas partes do Brasil).
Em certas horas inexplicavelmente batia uma vontade estranha de chorar, ele tinha ouvido que tem pessoas que bebem para esquecer certas coisas, mas até agora aconteceu somente o contrário. As lembranças vinham com o quê de que poderiam ser melhores. Ele ainda pensava que a moda do medo tinha que terminar e aí então poderia fazer o dobro das coisas que faz. De tanto "achismo" ele ficou com raiva xingou um palavrão e pediu mais um copo."

Me dá um gole da sua cerveja? - disse um estranho - Venceslau assustado respondeu que não precisara pois lhe pagaria uma cerveja inteira. O homem, desanimado, disse que não queria uma cerveja, pois o ato de beber não lhe interessava e sim o ato de receber uma coisa que foi dividida de bom grado. O envergonhado astronauta tinha aprendido agora sobre ludismo.

"Heins era um filosofo de boteco, passou sua vida inteira tentando ser alguém para que os outros pudessem admirá-lo mas viu que todos seus feitos eram passageiros. Em vista disso resolveu ensinar aos outros a importância do que é viver de segundo a segundo".

Com sua língua afiada Heins fala sobre quão efêmera era a vida e que tudo morria ou acabava antes mesmo de se ter feito tudo, mas as poucas coisas que as pessoas conseguiam fazer ficavam marcadas no caderno das lembranças. O homem se torna rico quando se tem lembranças valorosas e no fim só sobra isso. Há umas horas atrás eles nem se conheciam, mas pelo valor, sinceridade e força da conversa aquilo certamente se tornaria uma forte lembrança e também uma peça na formação do que eles chamavam de espírito.

No blablaésimo copo eles estavam felizes e Venceslau mais ainda por ter feito seu primeiro amigo. Ele sabia que de agora em diante começaria ver o mundo de outra maneira como se tudo coubesse no espaço de um segundo. Em um segundo se morre, em um segundo se cria uma vida, em um segundo se cabe o mundo...

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