sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Flores e ciganas (Romênia)

Mais um dia das férias do arrojado astronauta se passava. Agora na Romênia ele tinha visto os vários castelos e ciganos que rodeavam seu hotel. Ao passar por uma floricultura viu uma bela flor de lótus e ao lado dela uma orquídea, de longas datas já sabia que uma representava em várias culturas o fim das coisas e a outra a luta por viver a qualquer custo...
"Quer uma flor senhor?" . Lá estava ela, irônica e desafiadora, não tinha como achar outra coisa... tinha uma face de força somada a várias coisas em seus olhos que o fazia crêr que ela era uma explosão contida em uma corrente de pensamentos - Acorda Venceslau! - disse ele se batendo e logo se prontificando em chamá-la para uma conversa. Poucos minutos se passaram para eles saberem que tinha mais em comum do que se imagina, mas foi também o suficiente para saber que os seus caminhos estavam se cruzando neste curto espaço de tempo.
Poucas pessoas sabiam sua vida no seu planeta e os motivos adicionais que o levou a ir conhecer outros lugares mas era fácil perceber que ele tinha uma manhca cobrindo seus olhos e a única coisa que vinha em sua mente neste momento era uma frase que tinha lido em um livro brasileiro: Navegar é preciso e viver não é preciso. Ele não tinha encontrado seus objetivos e apaziguado seus demônios internos que andavam montados em seu passado.
Desta vez ele não estava sendo idiota como em Paris. Sabia que teria que abrir mão deste momento e do frio na barriga que o corroía para que as férias dele tivesse um sentido e ele conseguisse recuperar a força que havia perdido a muito tempo. Em resumo sabia que seria um vilão mesmo sem querer, mas com um sorriso disse adeus falando que aquela flor era muito bonita e não poderia ser arrancada dali porque teria o perigo de morrer e perder toda a belezza que nela existe. Talvez um dia que ele tivesse um vaso e também força para carregá-lo, assim, ele poderia assumir a promessa de que aquela flor seria imortal...
A cigana com um olhar que poderia caber o mundo dentro de sua alma então lhe disse: Talvez um dia poderemos nos encontrar em Veneza astronauta e talvez os planetas nos guiem se você achar o que procura...
Em um único suspiro o astronauta encerra: "Minha alma é o vento e se os deuses Hindus resolverem soprar até lá farei o possível para chegar aos seus ouvidos como uma brisa em fim de noite, mas agora o vento me leva para o olho do furacão..."
Olhando sempre em frente Venceslau caminha para uma praça e observa sorrindo uma criança aprendendo a andar depois de cair várias vezes... Nem ele ainda tinha aprendido a andar de fato...

domingo, 21 de outubro de 2007

Entre uns goles e uns segundos (Alemanha)

Agora na Alemanha Venceslau já estava se acostumando com a vida de turista. A anos ele almejava férias e como não tinha mais necessidade de dormir (ficou em coma 4 anos), poderia ver mais coisas que o normal. O país era lindo, nos locais que visitou tinham poucos homens do saco. Era estranho saber que um país daquele foi destruído duas vezes e ainda mantinha sua beleza. As pessoas bebiam uma coisa amarela chamada cerveja e curioso ele também experimentou. O gosto era semelhante a um biscoito que as pessoas chamavam de água-e-sal. Depois do décimo segundo copo Venceslau estava com uma imensa vontade de rir, mulheres feias já nem eram tão feias assim e todas as pessoas que também bebiam eram seus amigos ("considerados" em certas partes do Brasil).
Em certas horas inexplicavelmente batia uma vontade estranha de chorar, ele tinha ouvido que tem pessoas que bebem para esquecer certas coisas, mas até agora aconteceu somente o contrário. As lembranças vinham com o quê de que poderiam ser melhores. Ele ainda pensava que a moda do medo tinha que terminar e aí então poderia fazer o dobro das coisas que faz. De tanto "achismo" ele ficou com raiva xingou um palavrão e pediu mais um copo."

Me dá um gole da sua cerveja? - disse um estranho - Venceslau assustado respondeu que não precisara pois lhe pagaria uma cerveja inteira. O homem, desanimado, disse que não queria uma cerveja, pois o ato de beber não lhe interessava e sim o ato de receber uma coisa que foi dividida de bom grado. O envergonhado astronauta tinha aprendido agora sobre ludismo.

"Heins era um filosofo de boteco, passou sua vida inteira tentando ser alguém para que os outros pudessem admirá-lo mas viu que todos seus feitos eram passageiros. Em vista disso resolveu ensinar aos outros a importância do que é viver de segundo a segundo".

Com sua língua afiada Heins fala sobre quão efêmera era a vida e que tudo morria ou acabava antes mesmo de se ter feito tudo, mas as poucas coisas que as pessoas conseguiam fazer ficavam marcadas no caderno das lembranças. O homem se torna rico quando se tem lembranças valorosas e no fim só sobra isso. Há umas horas atrás eles nem se conheciam, mas pelo valor, sinceridade e força da conversa aquilo certamente se tornaria uma forte lembrança e também uma peça na formação do que eles chamavam de espírito.

No blablaésimo copo eles estavam felizes e Venceslau mais ainda por ter feito seu primeiro amigo. Ele sabia que de agora em diante começaria ver o mundo de outra maneira como se tudo coubesse no espaço de um segundo. Em um segundo se morre, em um segundo se cria uma vida, em um segundo se cabe o mundo...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Pelas ruas...

Caminhando perdido pelas ruas de Paris ainda pensando na descoberta do seu lado idiota, Venceslau depara-se com uma mulher muito grande falando para seus filhos que se não se comportassem o homem do saco os levaria embora...
Como um gatilho, sem entender o por quê, suas lembranças vêm como um soco: "Seu tio-do-tio era um jovem alegre e interessado nas coisas que ele não conhecia. Certa vez ele ousou e foi para um asteróide muito distante ver como eram as coisas por lá. Largou família, amigos e amores partindo com uma merendeira do "Esquadrão Classe A" e uma pomada para micose. Lá ele fez novos amigos e conheceu realmente várias coisas boas. Em troca perdeu coisas inestimáveis em sua terra natal e no fim duvidava se era o mesmo jovem alegre e interessado nas coisas de antes. Dizem que ele anda por aí mal humorado e frio como uma pedra , além de ninguém conseguir tirar mais nenhuma informação do que ele sente..."
Com um calafrio na sua espinha Venceslau sentiu medo de ficar assim, talvez ele deveria ter se comportado de outra maneira nestes últimos anos... Será? - pensou o assustado hindu europeu- Agora é tarde e eu preciso conhecer a Europa mais rápido! Antes que o homem do saco venha me pegar...

P.S: O medo é a moda desta triste temporada.

domingo, 7 de outubro de 2007

A caminho da França II

Lá estava ela com aquela coisa que mais parecia uma máquina de roubar almas. Sem muito pensar olha curiosamente para a lente provocando um imenso susto em sua dona: Meu Deus senhor!? Nunca mais faça isso!!!
Ele aprendeu então o que era ser intrometido. Também aprendeu a utilidade de se pedir desculpas. Para ele nunca fez muito sentido ter que pedir uma coisa destas depois que o ato já tivesse sido feito pois se a pessoa não deu atenção ela desculpa automaticamente mas, se realmente a incomodou, aceitar a desculpa sem uma resolução a tornaria uma mentirosa, o que faria ela ter que pedir desculpa... Meio zonzo depois de seu raciocínio ele diz que só queria saber o que era aquilo e com sorte conseguiu uma longa explicação. Mais zonzo ainda saiu pensando como era engraçado os costumes do povo da terra.
Vera havia lhe contado sobre como o povo atualmente tira foto de tudo que vê. A máquina fotográfica (disloptizador em seu planeta) tinha se tornado uma ferramenta comum e as pessoa se faziam de desfaziam das fotos de acordo com as lembranças que estas traziam. No seu planeta o disloptizador teve seu uso em excesso proibido pois se julgava desvalorizar as memórias e a criatividade das coisas. Havia casos de pessoas que tinham morrido com o cérebro atrofiado depois de não ter que fazer força para se lembrar das coisas. Também haviam pessoas que ficavam tristes por não ter mais a habilidade de tornar suas lembranças fantásticas pois até suas idas no banheiro estavam sendo registradas. Uma vez o seu oitavo primo da casa retangular sabor baunilha havia contado para o seu filho que tinha conseguido matar um dragão e pegado suas bolas de gude como presente, porém não demorou três minutos para seu filho ir no arquivo mundial de fotos para saber que seu pai tinha comprado seu presente na loja da magrela gorda...
Depois deste ato pensante de 30 watts ele olha para Vera e pensa - Que mulher linda! - imaginou-se em várias situações com ela mas, com um estranho frio na barriga, ele teve medo e saiu da torre pensando ser somente uma vertigem por ter ousado estar alto demais... Ele estava aprendendo agora o outro significado da palavra desculpa e principalmente começando a aprender o que era ser idiota...

terça-feira, 29 de maio de 2007

A caminho da França!

A primeira descoberta de férias de Venceslau era que precisava de dinheiro, um papel que não se come mas tem que se ter todos os dias (segundo uma dama de uma esquina em Budapeste). No seu planeta as maneiras de se ganhar dinheiro eram um pouco diferentes, pois lá se fazia um hibrido de tiush com litrs e se dava uma bela árvore onde se pegava notas suficientes para viajar para algum lugar, no resto se vivia de presentes, uma tradição local.
Na sua primeira empreitada trabalhou como ilusionista, plantava bananeira com sua mão invisivel (que só aparecia no inverno) e com as outras duas ficava batendo palma ao som de Apache (banda The Shadows). Ganhou muito dinheiro com isso em um talk show que como vários durou só três meses.
Com dinheiro na carteira resolveu partir prá França, disseram para ele que era um lugar onde as mulheres tinham um diferente gosto de depilação e era um país que foi comandado por um louco - Como um louco conquista quase um continente? - como ele já se cansara de voar resolveu ir em uma grande minhoca de metal que andava em uns risquinhos (prenúncio de seu encontro e identificação com a tribo matutóide de Minas Gerais).
No meio da viagem aconteceu um assasinato, um parto, um desmaio e uma apresentação de dança. Na chegada da França, viu vários stengberds (turistas) maravilhados com uma imensa torre de televisão e pessoas namorando em pequenas praças fazendo declarações de amor/hora. No alto da torre de televisão conheceu outra dama chamada Vera (ele achava que todas se chamavam Pierre), mas diferente da de Budapeste usava menos maquiagem. Está moça captava as almas de todos com um instrumento vulgo máquina fotográfica. Sem a mínima vergonha (ele ainda não sabia o que era isso) ele se aproxima...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Um rápido ensinamento (como as coisas devem ser!)

Ao abrir os olhos viu que o mestre Sem-nome era uma pessoa extremamente tão grande quanto o universo. Satisfeito, o mestre apenas disse uma palavra: viva!
Como um gás nobre, após suas palavras, iluminou, evaporou e sumiu!
Venceslau, pobre coitado, levantou e começou suas férias na Terra...

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Tudo começou...

Era uma vez Venceslau, o pequeno ser barrigudo que vivia no planeta Coiotus (ele nunca entendeu esse nome) e resolveu passear pelo universo. Como não tinha dinheiro prá comprar uma passagem descente, resolveu ir de segunda classe para Terra.
Feliz da vida pegou sua merendeira do Rambo, juntou três macarrões intantâneos, três latas de salsicha e remédio prá verme. Ao se sentir pronto entrou no ônibus espacial e partiu.
O motorista com raiva do trânsito lento devido aos venusianos acabou pegando um atalho nada conveniente, o que resultou em um grave acidente com nosso herói levando-o a cair na Europa e ficar inconsciente durante 4 anos aos cuidados do mestre hindu sem-nome. Isso até acordar...