sexta-feira, 8 de março de 2013

Hora de trabalhar...

"Então ele começou a andar e brincar de desprevenido"...
Cada escolha que já tinha feito o moldara como é hoje. O Astronauta do passado era uma criança precoce que hora tinha lapsos de adulto ou somente vontade de um colo para contar sobre seu dia no belo jardim de infância chamado Planeta Terra.
Sabia que esta escola era muito grande e, apesar do bullyng que sofrera e dos corações partidos que colecionou, teve ótimos professores. Mas agora com o diploma em mãos era necessário procurar um trabalho. Como foi versado em transmutação da alma, nada melhor do que trabalhar com pessoas que precisam de novas formas "almais". Não que ele soubesse de tudo. Muito pelo contrário. Ao ajudar as pessoas ele estaria também agregando conhecimento e, com isso, poderia vasculhar não só o planeta mas também áreas do seu "Eu" que nem mesmo ele tinha ousado a entrar.
Já não tinha a merendeira do Rambo de outrora, mas carregava agora uma mochila jeans rabiscada e dentro dela um bloco de notas, um gramofone, um jardim, um trilho de trem e um cachorro.
Por onde começar? Seria injustiça escolher um ponto de partida já que o mundo é tão grande e cheio de pessoas que procuram um instrutor para esculpir a alma. Com este pensamento o Trainee Astronauta não escolheu direção, apenas andou na certeza de que no caminho alguém apareceria precisando de seus serviços. O salário? Um cachorro quente, uma história para contar e 10 hectares mentais para poder alojar o que aprendesse. "
Então ele começou a andar e brincar de desprevenido"...

sábado, 12 de novembro de 2011

De repente...

De repente o Astrobauta percebe que já acumulou muitas histórias para contar...

sábado, 20 de junho de 2009

O fim do espelho...

Um ano se passou contemplando o espelho. Aquela imagem distorcida nada lembrava do quão intrépido era o astronauta. Olheiras substituíam o significado de olhos profundos e nem lembrava como era seus dentes pois tinha esquecido de como era sorrir. Três foram as vezes que conseguira enfrentar o espelho, mas sua imagem era esperta e três vezes foi derrotado. As pílulas não faziam o efeito que o mestre tinha dito, cada golpe desferido contra a imagem era um golpe desferido em si mesmo. Enquanto o astronauta tentava convencer o espelho a desistir, sua imagem apunhalava o próprio peito sem nada lhe acontecer, ao contrário de Venceslau que caía de dores no chão e vomitava todas as suas agonias.
Onde estavam todas as glórias de suas viagens? Onde estava os filósofos que conhecera e as filosofias que carregavam? Onde estava seu coração? Pior! Onde estavam os dons que moravam no coração junto com as pessoas de quem gostava e o amor próprio?
Furioso tentara várias vezes quebrar o espelho, mas em um piscar de olhos o espelho reaparecia em sua frente, intacto e sombrio reflectindo uma imagem sarcástica que nem mesmo nos seus momentos de falsa soberba julgava esboçar...
Em uma noite lembrou do seu planeta e das pessoas que lá habitavam. Simples e diretos. Era certo que raras as vezes alguma moda ou novidade quebrava aquele jejum estático que lá permanecia. Será que lá eu era feliz? - Pensou o denegrido astronauta - Não tinha motivos para ficar triste naquelaépoca. Mas felicidade era a ausência de tristeza? O que o diferenciava dos seus conterrâneos era ter uma alma grande suficiente para colocar estes dois sentimentos lado a lado e crescer em meio a estes conflitos. Tanto que não coube mais no seu planeta e teve que buscar novos espaços...
... sim! O Astronauta esta meditando novamente e isto acendeu uma pequena luz no seu interior. Luz suficiente para ver que tudo que havia perdido ainda estava dentro dele só que empoeirado e desarrumado. O seu problema na verdade era ter se acomodado e esquecido da bagagem que já tinha. Em um velho canto de sua mente estava a boa e velha merendeira do Rambo com tudo que precisava para descobrir novos mundos novas pessoas e novos mundos dentro destas mesmas pessoas. Ele era um astronauta, um viajante... e de nada adiantaria estes nomes com ele parado em frente aquele espelho ruminando feridas que a tempo já eram para estar fechadas.
A tristeza não tinha que sumir, mas tinha que dar espaço para a felicidade poder crescer, talvez crescer a ponto de sufocar as dores e elas não incomodarem tanto como fazia até aquele momento...
... em meio a meditação o filosofo Hindu abre os olhos e se depara com a imagem outrora sarcástica chorando. Um choro discreto mas com os olhos úmidoso suficiente para refletirem a própria imagem real do astronauta. Agora sim Venceslau conseguia se ver novamente.
- Não quero mais lutar com você, não preciso. Só consigo te vencer com a coisa que eu melhor sei fazer... viajar. O que faltava era viajar dentro de você, minha imagem. E foi o que acabei de fazer. O seu papel termina aqui. O que resta agora é dizer adeus...
Assim o astronauta deu as costas ao espelho e começou a andar para bem longe dali... assim como sua imagem dentro do espelho também fazia. O espelho ia ficando cada vez menor e na mente do astronauta ressoava uma antiga música* que aprendeu em suas viagens:

"Uma alma de coragem e suas garras falam de desejos e sonhos

Suas lágrimas me respondem em silêncio sobre o vazio e o medo

Deixe-a andar e buscar o que é seu

Não tenha medo e não olhe pra trás

Eu sei que às vezes...

Nos dá vontade de chorar, talvez tenha motivo

Deixei a porta aberta, talvez venha me buscar

E na janela já vejo outro dia

Veja o avesso dos sentidos e da imagem que eu refleti agora mesmo

Não pense em desistir, vista-se de razão

Coloque o outro pé ali e suba este monte

Eu sei que às vezes...

Nos dá vontade de chorar, talvez tenha motivo

Deixei a porta aberta, talvez venha me buscar

E na janela já vejo outro dia

Se o peso da angustia tocar os seus olhos não assuste e lave o rosto

Deixe-a andar e buscar o que é seu

Não tenha medo e não olhe pra trás

Eu sei que às vezes...

Eu tenho o vento que sopra o meu cabelo

Eu sei que as árvores no outono não morreram

Eu sei que corre sangue quente em todos os seus passos

Eu sei que às vezes..."




Ao longe o Astronauta escuta um grito:

- Te vejo novamente?

- Por enquanto não - respondia Venceslau ao reflexo...






Nota do autor: A letra da música (Talvez tenha motivo) é autoria do meu amigo Rodolfo que também enfrentou o espelho. Com todos direitos reservados.



quarta-feira, 16 de julho de 2008

E agora?

Nossa! Desde seu coma o anestesiado astronauta nunca tinha dormido tanto. Mal chegara aquela máquina voadora no solo e ele estendeu sua rede portátil e resolveu dormir. Em seu planeta é costume as pessoas dormirem após assimilarem mais ou menos uns 15 kiloepifanias. Na verdade ele tinha assimilado muito mais do que isso e ficou viciado. Após alguns giros incalculáveis do seu contador de tempo sentia falta da frequencia de algo entre a repetição e a inovação.
Além disto não estava preparado para descobrir que a Terra são vários mundos dentro de um só.
Esperava apenas sonhar, mas algo estava o incomodando. Sentia-se vazio. Com seus conhecimentos básicos de Vidamecina diagnosticou que estava sofrendo uma doença bastante comum para as pessoas de outro mundo: Solidão cega (vulgo frio na barriga ruim). Sabia-se que no Brasil tinha maneiras de se curar rapidamente deste mal. Mas neste local em que havia pousado havia também uma outra doença tão ruim quanto a dele. Alguns a chamavam de mudancite. Assim como na Europa, a moda do medo tomou conta de todos que ali habitavam. Um dos principais sintomas desta doença era a amnésia seguida de um pseudoegoísmo, que inibia as pessoas de unirem para resolver mais rápido seus problemas.
Assim, ainda sentindo seus males, o astronauta chorou. Sua doença, em conjunto com a outra, cada vez mais o deixava de cor cinza (típico de E.Ts tristes). Sua cegueira o levava a perguntar qual era o valor de crescer cada vez mais? Aprender algo a mais vale a pena? Ou é melhor esquecer que tamanho é documento sim? Não o tamanho de um elefante ou formiga, mas o tamanho da luz que emana dentro daquela bombinha que se chama coração. Houve um tempo que a luz era tanta que até a sombra fugia com vergonha.
Sua cegueira, além de tudo, escondeu o que era uma das coisas mais importantes para ele: amor sobre as coisas. No cérebro de um astronauta, o amor é um todo, mas em cada um dos seus mil átrios e ventrículos existia algum tipo de manifestação diferente. Amar as coisas era dificil para muitos mas ele fazia isto como se fosse lamber a tampa de um frasco de chocolate.
Com algumas poucas válvulas entupidas seu sangue mal corria pelo coração e o cérebro brincava com dificuldade de lembrar as coisas. Lembrava, do mestre, do amigo bêbado, das pessoas de que tanto gostava do seu planeta, do disloptizador, da cigana... onde ela andaria agora?
Nada mais fazia sentido então ele resolveu brincar de não existir. Ficou ali parado deixando aquele frio ruim na barriga ficar pulando de um lado para o outro.
Quando já estava quase convencido de que não existia mesmo uma voz ecoa do céu dizendo: Você vai ter que vomitar este frio... seu idiota!
Mais que assustado o astronauta observa um tapete persa falsificado voando sobre sua cabeça e nele seu mestre lixando a unha do dedão do pé:
"- Pensei que dava para deixar você se virar sozinho mas você ficou burro demais, bebeu de menos e comeu falsas esperanças demais! Você sabia que falsas esperanças tem um colesterol tão alto que faz o coração quase parar de bater? Vou fazer o seguinte, vou te dar este espelho e esta caixa. Enquanto você não conseguir tirar sua imagem de dentro do espelho e bater nela você não pode abrir a caixa.
- Mas como eu me tiro deste espelho? - perguntou o insaturado e gorduroso astronauta - e prá quê esta caixa?
- Mas você tá cego mesmo heim? Para você tirar sua imagem do espelho, você tem que fazer ela ter inveja de você a ponto de querer roubar seu lugar. Quando ela sair você espanca ela com uma bexiga de mortadela e mostra quem manda. Depois disto você abre a caixa e toma por dia um comprimido de esperança (verdadeira, light e turbinada com sonhos) pela manhã. E se nada disto der certo, o que eu duvido, você pega o espelho e começa tudo de novo, pois enquanto você e sua imagem não se entenderem você vai continuar cego e não vai conseguir ver o resto das coisas que queria ver nesta suas férias."
Assim como da primeira vez o mestre sumiu, mas agora voando em um tapete que fedia a diesel queimado...
Quanto ao espelho era difícil ver o que tinha lá dentro, se era o astronauta ou apenas o que ele imaginava ser...

terça-feira, 15 de abril de 2008

O papel escreve o astronauta...

O avião mal tinha levantado vôo e o astronauta já "viajava viajando" pois assim tinha duas viagens pelo preço de uma mesmo que as cias. aéreas, semelhante a máfia dos Plutônianos, insistissem em roubar todos seus papéis coloridos de valor.
Para sua viagem extra só lhe foi necessário um papel de menos valor que os coloridos e uma caneta escrevedora:


"(...) Qual a diferença entre andar pelo chão de morros
e brincar com as aranhas no teto?
O que é ter uma casa e não um lar?
Será meu coração trovejando
ou mero desafino?(...)"

Mas para variar sempre vem uma aeromoça com um sanduíche para atrapalhar...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Tic... Tac...

Passado os dias , a Europa parecia pequena para o coração do astronauta... conheceu a Grécia e seus deuses que mudaram para Roma, conheceu Roma e descobriu que lá era a casa de um Deus que tinha conseguido mandar os mesmos deuses gregos embora para os livros. Foi também para Veneza rever a tão lembrada cigana e comprovar que os corações de nômades são caóticos, livres, loucos e apaixonados pelas estradas da vida.
Por fim chegou em Londres... casa do tempo, onde existe um relógio que observa a todos com seu hipnótico tic, tac, tic, tac... tic... tac...
Quase em um transe, nosso "nonsenssizado"astronauta, vê o mundo girar firme e correto, fazendo as pessoas envelhecerem e morrerem... Em seu próprio mundo ás vezes se fazia uma espécie de Curdanand (votação aqui na Terra). Nesta época era escolhido se o planeta Coiotus ficava parado ou não. Seu mundo ficava parado durante seis meses, assim como o tempo e depois disto as lembranças que se tinham eram guardadas em uma caixinha azul para serem apreciadas sempre que se estivesse mal o suficiente para se esquecer do quanto um momento passado pode ter sido bom. Um dia antes do tempo congelar, as pessoas pensavam qual era a melhor situação, sensação e estimulo para ser saboreado durante os meses. O interessante era que a maioria das pessoas escolhiam situações amororosas para passar este tempo.
Foi dito a muito tempo por um profeta com dois corações que: "o amor não é eterno por si só. Sua duração depende da perseverança e capacidade de enfrentar os obstáculos que aparecem no momento em que duas pessoas decidem ficar juntas acima de suas diferenças".
"Qual o direito teria deste sentimento ser eterno, se seus outros irmãos como a alegria, a tristeza e principalmente a dor passam? Se a dor também fosse eterna o que seria de nós sem a esperança de que tudo um dia virasse apenas uma cicatriz?".
"O mais próximo da eternidade que um amor pode chegar é proporcional a lembrança dos momentos em que este sentimento se fez valer a pena. E apenas os que lutaram com toda sua força podem sentir isso, pois tem em sua mente que nada duradouro vem de graça"...
Depois deste dia foi assombroso como milhares de pessoas, com medo da descoberta do amor perecível, passaram a aumentar a duração de determinados momentos de afeição.
Talvez não tenha sido bem isso que o poeta quisesse dizer... a vó do astronauta, que nem profeta era, já dizia: "roupa colorida exposta demais ao sol desbota"...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Flores e ciganas (Romênia)

Mais um dia das férias do arrojado astronauta se passava. Agora na Romênia ele tinha visto os vários castelos e ciganos que rodeavam seu hotel. Ao passar por uma floricultura viu uma bela flor de lótus e ao lado dela uma orquídea, de longas datas já sabia que uma representava em várias culturas o fim das coisas e a outra a luta por viver a qualquer custo...
"Quer uma flor senhor?" . Lá estava ela, irônica e desafiadora, não tinha como achar outra coisa... tinha uma face de força somada a várias coisas em seus olhos que o fazia crêr que ela era uma explosão contida em uma corrente de pensamentos - Acorda Venceslau! - disse ele se batendo e logo se prontificando em chamá-la para uma conversa. Poucos minutos se passaram para eles saberem que tinha mais em comum do que se imagina, mas foi também o suficiente para saber que os seus caminhos estavam se cruzando neste curto espaço de tempo.
Poucas pessoas sabiam sua vida no seu planeta e os motivos adicionais que o levou a ir conhecer outros lugares mas era fácil perceber que ele tinha uma manhca cobrindo seus olhos e a única coisa que vinha em sua mente neste momento era uma frase que tinha lido em um livro brasileiro: Navegar é preciso e viver não é preciso. Ele não tinha encontrado seus objetivos e apaziguado seus demônios internos que andavam montados em seu passado.
Desta vez ele não estava sendo idiota como em Paris. Sabia que teria que abrir mão deste momento e do frio na barriga que o corroía para que as férias dele tivesse um sentido e ele conseguisse recuperar a força que havia perdido a muito tempo. Em resumo sabia que seria um vilão mesmo sem querer, mas com um sorriso disse adeus falando que aquela flor era muito bonita e não poderia ser arrancada dali porque teria o perigo de morrer e perder toda a belezza que nela existe. Talvez um dia que ele tivesse um vaso e também força para carregá-lo, assim, ele poderia assumir a promessa de que aquela flor seria imortal...
A cigana com um olhar que poderia caber o mundo dentro de sua alma então lhe disse: Talvez um dia poderemos nos encontrar em Veneza astronauta e talvez os planetas nos guiem se você achar o que procura...
Em um único suspiro o astronauta encerra: "Minha alma é o vento e se os deuses Hindus resolverem soprar até lá farei o possível para chegar aos seus ouvidos como uma brisa em fim de noite, mas agora o vento me leva para o olho do furacão..."
Olhando sempre em frente Venceslau caminha para uma praça e observa sorrindo uma criança aprendendo a andar depois de cair várias vezes... Nem ele ainda tinha aprendido a andar de fato...